A Verdade Sobre o Óleo de Palma

O roubo de terras, o desmatamento de florestas, a violação de direitos humanos e o perigo de extinção de espécies são algumas das consequências do nosso consumo de óleo de palma. Enquanto consumidor, como podes reduzir a tua contribuição para este problema? Descobre tudo neste artigo.

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Caros leitores,

desde que li um artigo na revista da National Geographic (Dezembro, 2016) sobre o risco de extinção dos orangotangos provocado maioritariamente pela produção de óleo de palma senti que precisava de agir e tentar reduzir ao máximo o meu consumo deste óleo e informar as pessoas sobre esta causa que é constantemente silenciada e omitida. O roubo de terras, o desmatamento de florestas, a violação de direitos humanos e a morte de espécies são algumas das consequências do nosso consumo de óleo de palma.

O que é o óleo de palma?

É uma gordura que se obtém a partir do fruto de uma palmeira-dendém. É muito utilizado na indústria alimentar por ter uma textura agradável e mais macia que os outros óleos, sem fragrância e sabor neutro e por servir ainda como conservante, para além de ser de baixo custo monetário. É actualmente o óleo vegetal mais produzido no mundo e ocupa mais de 27 milhões de hectares de terra mundial. É plantado em regiões tropicais como o Equador, o Sudeste Asiático (a Indonésia é o maior produtor, seguido da Malásia), América Latina e África. Todos os dias áreas florestais são destruídas e queimadas para dar lugar a plantações de palmeiras.

Onde se encontra?

Este óleo está presente em cosmética e produtos de limpeza (cremes, sabonetes, maquilhagem, detergentes) mas principalmente em bens alimentares processados (bolos, chocolates, massas folhadas ou quebradas, pão, molhos, batatas fritas, bolachas, margarinas, comida pré-feita, cereais de pequeno almoço). Para além disso é importado na União Europeia para produzir energia (produção de biodiesel e produção de energia e calor).

Quais são as consequências ambientais?

Para se produzir óleo de palma gera-se uma grande quantidade de emissão de gases com efeito de estufa para a atmosfera. Em 2015, a Indonésia emitiu mais gases poluentes do que os EUA à custa desta indústria. Para além disso, o biodiesel a partir de óleo de palma é considerado mais nocivo para o ambiente do que o retirado do petróleo.

Quais são as consequências na biodiversidade?

Há mais de 300.000 animais que habitam as florestas de Borneo e Sumatra. Muitos deles são feridos, mortos e deslocados durante as desflorestações. Graças à produção de óleo de palma, o orangotango, o elefante pigmeu de bornéu e o tigre de Sumatra encontram-se em vias de extinção. Hoje em dia apenas 70 mil orangotangos vivem nas florestas do sudeste asiático. 90% do habitat de orangotangos foi destruído nos últimos 20 anos. É estimado que sejam mortos entre 1000 a 5000 organgotangos todos os anos. Após serem capturadas, várias crias são vendidas no mercado negro. Estes animais são expulsos do seu habitat, maltratados e mortos durante o desmatamento. Aconselho-vos a verem este vídeo comovente de um orangotango a defender a sua casa com todas as suas forças.

Quais são as consequências sociais?

Para além dos animais, pequenos agricultores e tribos indígenas que habitam nas florestas são expulsos das suas terras de forma violenta. Na Indonésia, estima-se que cerca de 700 conflitos de terra estejam relacionados com o óleo de palma. Nas plantações existem igualmente vários tipos de violação dos direitos humanos e direitos laborais devido às condições de trabalho oferecidas aos trabalhadores.

Quais são as consequências do óleo de palma na saúde humana?

Em 2016 um estudo levado a cabo pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos declarou, à semelhança  do que a Organização Mundial de Saúde já tinha dito, que os ésteres glicidílicos de ácidos gordos – contaminantes formados durante o refinamento de óleos vegetais – são potencialmente cancerígenos e genotóxicos. Ainda no mesmo estudo, a Autoridade afirma que o óleo de palma é o mais perigoso de todos, quando refinado a temperaturas superiores a 200 graus Celsius. Após este estudo, a creme para barrar de avelãs Nutella foi alvo de  várias críticas, às quais a marca garantiu que a Nutella é segura e que se retirasse o óleo da receita, o produto perderia qualidade. Só a Ferrero (grupo a que pertence a marca Nutella) usa cerca de 185 mil toneladas de óleo de palma por ano na confeção dos seus produtos.

O óleo de palma sustentável é uma solução?

Os produtores de óleo de palma sustentável alegam produzir óleo de palma sem desflorestação ou sem interferir com os direitos humanos. No entanto, diversos ambientalistas e organizações defendem que tais alegações não passam de um esquema de greenwashing. Os princípios e critérios atuais não exigem que as empresas parem de desmatar e destruir florestas de turfa (áreas de grande importância ecológica que preservam a biodiversidade e ajudam a reduzir as emissões de carbono). Os auditores que verificam a conformidade da empresa com os padrões da RSPO (Roundtable on Sustainable Palm Oil) também foram acusados de corrupção.

Como reduzir/evitar o óleo de palma?

  • Em vez de comprares refeições pré-feitas, cozinha com ingredientes frescos e óleos de boa qualidade (azeite, girassol, óleo de coco);
  • Evita comprares produtos industrializados ou de cosmética e limpeza que contenham óleo de palma. Lê sempre os rótulos e procura por óleo de palma (palm oil), óleo vegetal (vegetable oil), azeite de dendê, azeite de desdém, palmitato de sódio, óleo de palmiste, palmitato, estearato de glicerina;
  • Sempre que possível, opta por transportes públicos em vez de carro, anda a pé ou de bicicleta;
  • Informa-te e informa os outros à tua volta, passa a palavra aos teus familiares e amigos!

Agora que já sabes qual o verdadeiro custo do óleo de palma vamos dizer não ao seu consumo e a tudo o que ele representa?

Referências:

https://observador.pt/2017/01/12/oleo-de-palma-pode-provocar-cancro-ferrero-garante-que-nutella-e-segura/
https://www.salveaselva.org/temas/oleo-de-palma#start
http://www.veggitableblog.com/porque-nao-consumir-oleo-de-palma/
http://www.saynotopalmoil.com/Whats_the_issue.php
https://www.eco-business.com/news/what-is-sustainable-palm-oil/
https://www.greenpeace.org/usa/sustainable-palm-oil-no-not-really/

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Sou uma antropóloga, apaixonada por viagens, pela natureza e por todas as espécies que dela dependem e que a compõem. O meu interesse pelo veganismo começou inicialmente pela causa animal mas rapidamente abracei outras causas como a sustentabilidade ambiental, o minimalismo e o impacto que a alimentação tem na nossa saúde. Graças ao veganismo sou uma consumidora mais consciente. Encaro o acto de compra como um voto e por isso tento ao máximo apostar em produtos nacionais, biológicos, éticos, sustentáveis e o mais naturais possível. Acredito na mudança e que juntos temos a capacidade de tornar o mundo melhor.