Ambiente: Pecuária Extensiva vs Intensiva

Pecuária extensiva é a prática que consiste na criação de gado em pasto.

Sendo que os animais, em vez de estarem fechados em estruturas e confinados a pequenos espaços, têm uma maior área para se movimentarem.

Quando a falar de consumo de carne, existem aqueles que procuram abrigo moral no conceito de pecuária extensiva, ou seja, gado criado ao ar livre.

A ideia de comer apenas animais que viveram as suas vidas, livres no campo a pastar, a conviver com outros da mesma espécie e morrer de velhinhos , é sem dúvida apelativa.

No entanto, todo este conceito começa a descambar quando nos lembramos que estes cenários não são sustentáveis e não é possível alimentar o planeta desta forma.

É importante não esquecer que todos os animais vão parar aos mesmos matadouros, independentemente do percurso na industria.

Vejamos abaixo alguns dos problemas fundamentais de qualquer tipo de pecuária (extensiva e intensiva).

Ineficiência e incapacidade de alimentar o mundo

OneGreenPlanet

Posto de maneira simples. A pecuária extensiva requer imenso espaço para os animais pastarem, o que torna a eficiência na produção de proteína por hectare muito baixa.

Em Portugal, segundo o relatório da pfizer[1]http://www.acos.pt/repository/docs/Reforma_PAC_ProfAvillez.pdf são usados:

  • 1.957.330 hectares para explorações especializadas em pecuária extensiva
  • 156.325 hectares para explorações especializadas em pecuária intensiva.

No relatório, verifica-mos que uma pecuária intensiva é, aproximadamente, 7 vezes mais eficiente, no que toca a espaço usado, na criação de gado que a extensiva. Isto porque é necessário menos espaço menos tempo para engordar os animais devido à alimentação.

Devastação de Habitat Natural e Vida Selvagem

1/3 do planeta está desertificado[3]http://www.un.org/apps/news/story.asp?NewsID=17076#.VAodM17E8ds, sendo a agropecuária o factor mais contribuinte.

Com o crescimento da procura por produtos de origem animal, mais espaço é necessário para a agropecuária. Como resultado, temos a devastação de habitats naturais para muitos animais selvagens (exemplo: amazonas).

Morte de espécies nativas

A desflorestação tem consequências tremendas a nível ecológico.

Para produzir animais para consumo humano, locais que uma vez foram um habitat natural para centenas de espécies, são agora pastagens com milhares de animais destinados ao consumo humano.

Para proteger os animais que são criados nestas pastagens, matam-se espécies predadoras nativas que possam habitar perto das pastagens.

Alguns dos métodos utilizados são [4]http://www.sheep101.info/201/predatorcontrol.html:

  • Envenenamento
  • Caça
  • Armadilhas

Pecuária e influência em ecossistemas

Um dos exemplos da devastação da agropecuária no ambiente, é a feliz história da recuperação da reserva de Hart Mountaincom 278,000 hectares, nos Estados Unidos. Esta reserva é, hoje, uma casa para centenas de animais selvagens, livre de gado.

No entanto, nem sempre foi assim, em 1990 o U.S. Fish and Wildlife Service baniu a pecuária na zona, devido à devastação que esta estava a causar e a recuperação da reserva foi fascinante.

O ecossistema recuperou. As espécies predadoras voltaram a poder lá habitar e caçar, antílopes voltaram a habitar a reserva e árvores voltaram a crescer, restabelecendo o equilíbrio do ecossistema.

Sem intervenção humana, a natureza recuperou a sua homeostase ecológica.

Veja a diferença nas imagens abaixo:

Emissões de gases poluentes para o ambiente

Como podemos ver no gráfico, retirado do estudo realizado por Dr. Ripple[5]Ripple, W. J., P. Smith, H. Haberl, S. A. Montzka, C. McAlpine & D. H. Boucher (2014) Ruminants, climate change and climate policy, a carne de vaca criada em pecuária extensiva emite mais CO2 que a criada em pecuária intensiva.

O problema não é apenas a emissão de CO2, mas também o metano produzido durante a digestão dos ruminantes, que é cerca de 20-100 vezes mais poluente para o ambiente que o CO2.

Ao contrário do CO2, que permanece no ambiente durante séculos, o gás metano tem um tempo de vida mais curto. No entanto, o seu contributo para o aquecimento global é cerca de 86 vezes mais forte do que o do CO2.

 Conclusão

Nenhum tipo de pecuária é sustentável, ético ou saudável para o ambiente. Muitos dos aspectos definidos acima, também se verificam na pecuária intensiva.

No entanto, como forma de combater a noção de que a pecuária extensiva é de alguma forma uma opção mais inteligente ou amiga dos animais e ambiente, vimos aqui algumas das devastadoras consequências da pecuária extensiva.

Alimentação vegetal é sem dúvida o caminho que devemos seguir para obter um sistema alimentar global sustentável.

Referências   [ + ]