Um ovo-lacto-vegetariano é aquele cuja a dieta incluí ovos e laticínios, ao contrário de um estilo de vida vegan que incluí uma dieta vegetariana estrita, ou seja, nada de produtos provenientes de animais.
De um ponto de vista ético, saúde ou ambiental, uma dieta ovo-lacto-vegetariana é inconsistente, mas porquê?

Tanto laticínios, seus derivados e ovos são responsáveis por causar imenso sofrimento nos animais que são explorados para a sua produção.
Aqui no SejaVegan procuramos representar a verdade, não pretendemos passar uma versão adulterada da realidade para que você adote um estilo de vida vegan.
Por isso mesmo, não se pode afirmar que todas as empresas usem as mesmas metodologias e processos de produção de leite.
No entanto, o processo de produção de leite é cruel na sua essência, independentemente do método de produção usado, vejamos porquê.

Ative as legendas do video abaixo

Mamíferos e produção de leite

Os mamíferos produzem leite por apenas uma razão: alimentar as suas crias.
Assim como nos humanos para a fêmea produzir leite, é necessário primeiro dar à luz.

Inseminação Artificial

Para dar à luz a vaca precisa de emprenhar, sendo na maioria dos casos, artificialmente inseminada.
Na indústria o processo de inseminação artificial tem o seguinte procedimento:

  • Prender o animal
  • Esvaziar o reto
  • Introduzir o aplicador na vagina
  • Introduzir a mão no reto
  • Deposita-se o sémen
Foto: Mercy For Animals

Substitua o animal em causa por um humano. Será que se continua a chamar inseminação artificial? Não será violação?

Se a questão acima o deixou desconfortável, lembre-se que o termo violação é independente da espécie.

Existe imensa informação acerca do cruel processo de produção de leite, no entanto, certas empresas aproveitam-se da crescente preocupação do consumidor pelo bem-estar do animal e usam táticas de marketing para o enganar, tais como, “o leite de vacas felizes”.
Estes animais são artificialmente inseminados todos os anos para continuarem a produzir leite, até ao ponto de exaustão.

A vaca é também um animal extremamente social. Quando o vitelo finalmente nasce ao fim de 9 meses, é retirado da sua mãe (num período máximo de 48 horas).

Depois de esta separação, enquanto a progenitora se encontra em stress, causado pela necessidade biológica de estar com a sua cria, esta [cria] segue para abate se for macho, ou terá uma vida de exploração e inseminação cíclica como a sua progenitora, se for fêmea.

Naturalmente, um vitelo beberia o leite da sua mãe durante meses e criaria um elo forte com a mesma. No entanto, na industria os animais são privados do amor do progenitor e do seu leite.

Veja o processo de separação abaixo.

Citação do FAO (União europeia)
“Desmame:
Remoção do vitelo para um local onde o ele e o seu progenitor não se possam ouvir ou cheirar. … A vantagem do desmame é que todo o leite produzido pela vaca fica disponível para venda, e também que o vitelo e o seu progenitor se esqueçam um do outro o mais rápido possível.”[1]http://www.fao.org/ag/Agp/AGPC/doc/publicat/PUB6/P604.htm

Morte da vaca leiteira

Ao fim de 4-5 anos (dependendo da raça da vaca e estilo de produção), a vaca, depois de ter dado à luz várias vezes, sendo tratada como uma autêntica máquina de produzir leite, morre ou é enviada para abate.

A sua vida é avaliada em litros de leite produzidos, assim que deixar de ser producente , deixa de ter valor económico, pelo que a sua vida deixa de ter valor.

Esperança média de vida

Uma vaca, naturalmente, tem uma esperança média de vida de 20 anos. No entanto, na industria dos laticínios esta é reduzida, como disse acima, a uns meros 4-5 anos.
Esta enorme redução na esperança média de vida da vaca é devido ao:

  • extenuante processo de produção de leite
  • gravidez constante
  • stress da separação de suas crias
  • efeitos da manipulação genética

Se não come carne porque é contra a morte de um animal para alimentação, lembre-se:
Uma vaca que não produz , é uma vaca morta.


Alterações Genéticas das Vacas “Leiteiras”

Assim como as galinhas e maioria dos animais explorados para consumo humano, as vacas foram também alvo de seleção e manipulação genética pela mão do homem para aumentar o seu rendimento[2]https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2748269/.

Estas manipulações genéticas levaram a um grande declínio no bem-estar do animal, tais como:

  • Produzem muito mais leite do que seria necessário para a sua cria. Resultando na exaustão do organismo
  • Têm mais problemas pós-parto
  • Deficiências fetais
  • Menor fertilidade
  • Infeções das vias urinárias
  • Aumento de peso

Laticínios e Descorna

Tanto na industria dos laticínios como na da carne, a descorna é uma prática comum. Segundo os dados publicados num estudo do Livestock Science [3]http://www.livestockscience.com/article/S1871-1413(15)00240-1/abstract81% dos produtores de leite na Europa praticam a descorna dos seus animais.

Esta prática consiste na remoção dos cornos dos animais, para garantir a segurança dos exploradores e evitar ferimentos caso os animais lutem.
A descorna é normalmente efetuada na primeira de semana de vida do animal, para :
– Ocuparem menos espaço
– Facilitar o manuseamento do animal
– Diminuir a probabilidade de morte ou dano do animal

Dependendo da quinta, existem vários métodos de descorna, no entanto, todos eles causam imensa dor e stress nos animais.

Este processo é escondido do público porque as empresas sabem que é negativo para as relações públicas.

“Todos os métodos de descorna causam dor e têm efeitos colaterais.” – Neil Anderson , Veterinário ,* Ontario Ministry of Agriculture , Food and Rural Affairs*

Bezerros : Carne de Vitela

Vitela – Carne de uma cria macho (com menos de 1 ano) de uma raça leiteira.

Se antes de consumir vitela se recordar do que realmente significa a palavra, será que continuará com o mesmo apetite?
Vitela é apenas uma abstração que nos faz esquecer o facto de que o que estamos a comer é um animal bebé, inocente e inofensivo, que não teve hipótese de viver uma vida livre de sofrimento.
Para a industria dos laticínios os machos não têm valor económico (para além da sua carne), por isso são abatidos para produzir a famosa carne de vitela.
Assim que nascem os animais são separados da mãe, e seguem para estábulos onde permanecerão durante meses a consumir uma dieta específica para a engorda e substituição do leite da progenitora, com teor de ferro limitado para a sua carne ser mais clara [4]http://www.nouriche.com/IronManagementforVealCalves.pdf.
Ao fim de pouco tempo, o bezerro é morto para consumo humano.

Se ainda acreditar que o consumo de leite é algo ético, lembre-se que o consumo deste está diretamente ligado à intensiva exploração das vacas e a morte das suas crias.

Conclusão

Com este artigo, espero que tenha tirado a conclusão que a escolha mais ética não será uma procura incessante por um leite de “vacas felizes” , mas sim deixar os animais existentes viverem uma vida livre de sofrimento e exploração humana.

Dê o seu contributo para acabar com esta industria, deixando de a apoiar economicamente com o seu dinheiro.

Referências   [ + ]