Introdução da Alimentação Vegetariana a Crianças

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VIVA!

Desta vez irei recuperar uma publicação que fiz há algum tempo no meu website sobre “Introdução da alimentação vegetariana“. E porquê?
Teve muita aceitação junto de muitas pessoas, principalmente futuras e recém mamãs que gostariam de introduzir este tipo de alimentação aos seus bebés, mas não sabem como.

Nunca é demais dizer: devem sempre procurar um médico que apoie a vossa decisão e que vos aconselhe. Cada criança, como sabem, é única e com especificidades próprias e portanto, é necessário acompanhamento personalizado.

Ainda assim, quero partilhar convosco aquele que foi o plano da minha filha (actualmente com 28 meses), pois pode servir de ponto de partida para vocês, ou até mesmo para ajudar a desmistificar algumas questões, sendo que a mais comum é: e agora como substituo a carne e o peixe??

No nosso caso, optámos por introduzir os alimentos de uma forma um pouco diferente, em relação ao que a maioria das pessoas faz. Isso não significa que uma forma é a correcta e a outra a errada. Significa apenas que há formas diferentes de o fazer e esta, foi a que resultou para nós (sempre acompanhados por um médico entendido no regime vegetariano estrito).

Até aos 6 meses

Do acordar ao deitar, leite materno em livre demanda, as vezes que a Carolina quis e durante o tempo necessário. Não seguimos o horário tantas vezes estipulado das 3h ou das 2h.
Também optámos por não acordar para dar de mamar e tentávamos que não chorasse para pedir a mama.

Foram 6 meses muito intensos (com o meu regresso ao trabalho aos 5 meses da minha filhota) e onde tive de me coordenar muito bem por causa da extração do leite e garantir que havia suficiente para o infantário e para o pai, quando ele ficou com ela durante a sua licença.

6 meses

Almoço – Creme de legumes e fruta cozida passada. Primeiro a base com batata e cenoura e depois, aos poucos um legume diferente. Fizemos a introdução a cada 3 ou 4 dias. Quanto à fruta, primeiro a maçã, depois a pera e por fim a banana.
Durante todo o dia e noite – maminha em livre demanda. Algumas vezes a mamada substituía o almoço.  Foi sempre oferecida antes ou após o almoço, já que até aos 12 meses, a alimentação é complementar e a amamentação é que é o “prato principal”.

7 meses

Almoço – Continuamos com o creme de legumes mas começamos a introduzir uma colher de café de amêndoa, aveia em pó ou levedura de cerveja. Fruta cozida e passada.
Durante todo o  dia e noite – maminha em livre demanda.

8 meses

Almoço – Creme de legumes com a introdução da soja, bem passada. Fruta cozida e passada.
Durante todo o dia e noite – maminha em livre demanda.

9 meses

Almoço – Creme de legumes com a introdução do tofu, bem passado.
Lanche – Fruta cozida e passada
Jantar – Igual ao almoço
Durante todo o dia e noite – maminha em livre demanda

10 meses


Almoço – Creme de legumes com a introdução do arroz, massa (brancos e integrais), bem passados e leguminosas. Fruta cozida.
Lanche – Introdução das papas (optámos por papas caseiras e da Holle para o infantário) com leite vegetal de arroz e fruta crua
Jantar – Igual ao almoço
Durante todo o dia e noite – maminha em livre demanda

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11 meses


Almoço – Creme de legumes com a introdução do seitan, bem passado e leguminosas. Arroz, massa (brancas e integrais).
Legumes cozidos para comer com a mão (baby led weaning) Fruta cozida e/ou crua.
Lanche – Papas com leite vegetal de arroz ou coco e fruta crua. Iogurtes de soja natural.
Jantar – Igual ao almoço
Durante todo o dia e noite – maminha em livre demanda

12 meses


Almoço e Jantar – Creme de legumes.
Tofu, seitan ou soja. Qualquer tipo de legume cozido, massas e arroz. Millet, couscous e quinoa.
Cogumelos e leguminosas.
Legumes crus: tomate, alface, tomate-cherry, pepino…
Fruta cozida e/ou crua.
Lanche – Papas com qualquer leite vegetal e fruta crua. Iogurtes de soja natural.
Durante todo o dia e noite – maminha em livre demanda

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18 meses
Foi por esta altura que começou a comer o mesmo que nós, sem sal e sem temperos “agressivos” ou molhos “fora do comum”.
Começámos a explorar as frutas e a dar-lhe sem qualquer restrição, até porque, um pouco antes, pelos 15/16 meses sensivelmente, já havia no mercado as frutas típicas do Verão e portanto foi uma óptima oportunidade de experimentar de tudo um pouco (frutos vermelhos incluídos, uvas às metades e sem grainhas).
Ao lanche iniciamos os iogurtes de soja com aromas e o muesly.

A tabela seguinte é uma boa ajuda para elaborar pratos completos, uma vez que é possível verificar a composição dos alimentos:

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Fonte: Tabela da Composição dos Alimentos, 2005 do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.

Nunca é demais recordar as linhas de orientação para uma alimentação vegetariana saudável, e o manual para uma alimentação vegetariana em idade escolar da Direcção Geral de Saúde.

Actualmente a minha filha come de tudo um pouco, sem qualquer restrição. Esta foi a forma que adoptamos para ela. Não significa que seja a mais acertada ou a única! Cada família deve ser acompanhada por um profissional de saúde que a ajuda a tomar as decisões mais acertadas e que dê resposta às necessidades da família 🙂