Saúde: O Consumo de Animais e a Doença Cardíaca

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Este artigo baseia-se na informação do site Nutritionfacts.org.

A doença cardíaca é a doença que mais mata no mundo desenvolvido.[1]Como Não Morrer“, Dr. Michael Greger, Editora Lua-de-Papel, 2016. ISBN:9789892335599 Apesar disso, os dados indicam que não é uma inevitabilidade que aparece com a idade. Na realidade, como vamos ver mais adiante, pode depender largamente da escolha de comer ou não animais, pois os animais são uma fonte de colesterol. E pode na verdade ser revertível, mesmo depois de muitos anos, como vamos ver na terceira parte deste texto. Não é fantástico que a doença mais mortal que temos na nossa sociedade seja facilmente evitável ou revertível ?

No livro Como Não Morrer (em Portugal) ou Comer Para Não Morrer (no Brasil), escrito pelo médico Dr. Michael Greger, ou no seu site com vídeos traduzidos em português, explica-se como as 15 principais doenças do mundo ocidental têm origem na alimentação dos ocidentais e como podem ser prevenidas através de uma dieta baseada em alimentos vegetais integrais não processados. Por exemplo, hipertensão, diabetes, cancros do sistema digestivodoenças do cérebro, e infecções, doenças hepáticas, insuficiência renal, etc.

Pode ver também este artigo que resume os benefícios dos diferentes vegetais.

O que é a doença cardíaca ?

A doença cardíaca aparece quando começa a existir placa ateroesclerótica nas paredes das artérias, constituída por colesterol, por triglicéridos, por glóbulos brancos que tentam lutar contra a inflamação provocada pela placa, e por alguns minerais como o cálcio.

A ateroesclerose pode aparecer nas artérias coronárias que levam oxigénio ao músculo do coração. Pode manifestar-se como angina – ou seja, dores no peito. No entanto, para a maior parte das pessoas, o primeiro sintoma é o último que têm, e acontece uma “morte súbita cardíaca“. A ateroesclerose também se pode revelar noutros locais, como o cérebro (o que pode levar a um AVC – acidente vascular cerebral, ou a Alzheimer’s, que tem sido descrita como uma doença vascular), a região lombar, os órgãos sexuais ou as zonas periférica do corpo.

A doença cardíaca, no ocidente, começa na juventude, fruto dos maus hábitos alimentares da sociedade ocidental, nomeadamente o consumo de gorduras animais (ver abaixo). Podem-se encontrar sinais de doença cardíaca coronária nos corações de crianças de 10 anos.

O que causa a ateroesclerose ?

Na opinião do Dr. William C. Roberts, editor-chefe do American Journal of Cardiology durante mais de 30 anos, o único e verdadeiro factor de risco da acumulação de placa ateroesclerótica é o nível de colesterol LDL (ou “mau”) no sangue. Ou seja, uma pessoa que tivesse maus hábitos, sedentária, fumadora, mas que tivesse pouco colesterol LDL, não sofreria de ateroesclerose. Pode alcançar-se uma redução drástica do colesterol LDL no sangue reduzindo a ingestão de:

  • gorduras trans (encontradas em comidas processadas e naturalmente em carne e lacticínios)
  • gordura saturada (encontrada principalmente em produtos de origem animal, em alimentos processados, e em poucos vegetais como o coco ou o cacau, que no entanto podem ter nutrientes antioxidantes úteis, ao contrário dos animais.)
  • colesterol de origem dietética (encontrado exclusivamente em produtos de origem animal, principalmente ovos).

O nível ideal de colesterol LDL no sangue deve estar abaixo de 70 mg/dL, que é o nível abaixo do qual não existem doenças coronárias reportadas no famoso Framingham Heart Study, que seguiu gerações inteiras de doentes. O Dr. Roberts recomenda assim que se adopte uma dieta baseada em plantas integrais não processadas como a solução mais fácil para esta doença mortal.

A acumulação de toxinas provenientes das bactérias presentes naturalmente nos tecidos animais, que não são destruídas pelas digestão, também pode ter um efeito negativo na função arterial, inflamando cronicamente as artérias e prejudicando a sua capacidade de dilatar. Uma dieta baseada em plantas pode, por outro lado, proteger a função arterial.

A doença cardíaca pode ser revertida

Tem-se observado que a doença cardíaca é desconhecida em populações quase vegetarianas, no Uganda ou na China (o famoso China Study). Médicos como o Dr. Dean Ornish ou o Dr. Caldwell Esselstyn provaram que se pode reverter a placa ateroesclerótica, mesmo em doentes com as três artérias coronárias do coração entupidas, apenas com uma dieta baseada em plantas integrais não processadas, e sem cirurgia.

Reversal of Coronary Disease with PLant-Based Diet
Angiogramas coronários da artéria distal descendente anterior, antes e depois  de uma dieta de 32 meses baseada em plantas, sem uso de medicamentos de diminuição de colesterol, mostrando um progresso marcante. (Fonte: Prevent and Reverse Heart Disease pelo Dr. Esselstyn)

De acordo com o Dr. Michael Greger, “o segredo mais bem guardado da medicina” é que, em condições ideais, o nosso corpo pode recuperar muito bem dos seus problemas, se não estivermos sempre a agredi-lo, neste caso, com a ingestão contínua de gordura provenientes de animais ou produtos vegetais processados.

Muitas pessoas passam a vida a agredir todos os dias as suas artérias com maus hábitos alimentares, falta de exercício, ou tabagismo[2]Fundação Portuguesa de Cardiologia. Depois os médicos prescrevem-lhes estatinas, mas as estatinas são muito menos eficazes do que adoptar uma dieta saudável, à base de plantas integrais não processadas. Para além de não terem colesterol, as plantas são ricas em fibra que ajuda a excretar o colesterol do corpo e também são ricas em nutrientes como os nitratos e os antioxidantes que ajudam a dilatar as artérias, para além de outros benefícios noutras partes do corpo. Comer as sementes de tomates, bagas e alhos crus também podem ajudar a inibir a ação das plaquetas, que actuam na formação da ateroesclerose.

Se quiser saber qual a melhor forma de fazer uma dieta saudável, à base de plantas integrais não processadas, e quais os benefícios específicos de algumas plantas, clique aqui. Pode também comprar o livro que inspirou este artigo, “Como Não Morrer“, do Dr. Michael Greger.

Agradeço muito a revisão deste artigo por parte do Paulo Pereira.

Referências   [ + ]

1. Como Não Morrer“, Dr. Michael Greger, Editora Lua-de-Papel, 2016. ISBN:9789892335599
2. Fundação Portuguesa de Cardiologia