Saúde: Os riscos associados ao consumo de animais

Os produtos animais apresentam vários elementos nocivos, que facilitam a inflamação e as doenças crónicas como doenças cardíacas, cancros, AVC's, diabetes, asma, etc.

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O estado natural do ser humano é muito próximo do estado herbívoro, tal como acontece com os outros símios, visto a evolução dos primatas se ter dado no Miocénico, um período com abundância de vegetação. Quando o homem se afasta desse estado natural de quase herbívorismo, surgem perturbações. Estudos feitos, como o famoso China Study, publicado em 2005, que estudou durante décadas os padrões alimentares da população chinesa, mostraram uma correlação estatística entre o consumo de animais e o risco das principais doenças crónicas do Ocidente desenvolvido, como doença cardíaca, hipertensão, diabetes, cancros do sistema digestivo, doenças do cérebro, infecções, doenças hepáticas, insuficiência renal, etc.

Consumir animais contribui para o surgimento de processos inflamatórios no corpo, ou seja, para o aparecimento de doenças mais graves.  Nunca é tarde demais para passar a comer de forma saudável.

Se quiser saber mais sobre como fazer uma alimentação estritamente vegetariana saudável, consulte esta publicação.

A comida é um pacote: não se pode ter produtos animais sem os seus componentes nocivos. As plantas, por outro lado, estão carregadas de fibra e antioxidantes, com os efeitos benéficos associados. Consumir plantas, além disso, tem sempre um custo menor.

Para além dos produtos animais, o consumo de álcool ou de alimentos vegetais ultra-processados também é problemático. Apresenta-se a seguir uma lista não exaustiva dos componentes nocivos dos produtos animais:

Disfunção do microbioma intestinal

A ingestão de animais estimula o crescimento de uma flora intestinal nociva, que produz sulfeto de hidrogénio, que pode inflamar o intestino e levar a, por exemplo, cancros do cólon (as populações quase estritamente vegetarianas têm 50 vezes menos probabilidades de cancro do cólon, comparadas com as populações omnívoras). Essa flora é competidora da flora mais saudável, que se alimenta de fibra e de amido resistente, componentes apenas encontrados em plantas. A flora intestinal saudável sintetiza componentes como vitaminas e ácidos gordos de cadeia curta, que são anti-inflamatórios.

Gordura animal

O colesterol entope as artérias causando ataques de coração e acidentes vasculares cerebrais. Aos 10 anos, as crianças podem já apresentar artérias com placa. No entanto, nunca é tarde demais para reverter a placa nas artérias. A gordura animal acumulada inibe a acção da insulina, causando a diabetes tipo 2. Ao acumular-se no fígado, pode provocar cirrose gordurosa não-alcoólica. No cérebro, pode causar Alzheimer’s. A gordura animal está também associada a diversos cancros. Os médicos recomendam as estatinas como medicamento para controlar o colesterol, mas estas são muito menos ineficazes do que deixar de consumir animais.

Proteína animal

Estimula o funcionamento de hormonas como o mTOR (mammalian Target Of Rapamycin) e a IGF-1 (Insulin-Like Growth Factor 1), que estão implicadas no envelhecimento e na origem de cancros. A presença do aminoácido metionina nos produtos animais também está ligada ao crescimento de tumores, e a sua restrição pode limitar o desenvolvimento de cancros.

A proteína animal também danifica, pelo seu pH, diversos sistemas do corpo, nomeadamente, os pequenos canais dos rins.

Colina e carnitina

Estes compostos, abundantes nos produtos de origem animal, estão também implicados no aparecimento de cancros e na doença cardíaca, por exemplo. Um estudo demonstrou que homens com os consumos mais elevados de colina, encontrado principalmente nos ovos, tinham um risco 70% superior de desenvolver cancro da próstata letal.

Ferro-heme

O ferro é um agente oxidante, ou seja, causa danos nas células, nomeadamente no ADN. A ingestão de ferro vegetal (não-heme) é mais segura do que a de ferro animal (heme). O corpo consegue facilmente regular a quantidade de ferro vegetal absorvido, enquanto que absorve continuamente o ferro animal.

Ácido araquidónico

É uma substância, proveniente dos tecidos animais, que está ligada ao sistema de sinalização de inflamações. Ao comermos produtos animais o sistema desregula-se e cria mais compostos inflamatórios, como a prostaglandina.

Neu5Gc (Ácido Siálico)

É um composto que o ser humano não produz, mas que entra no seu sistema através da ingestão de produtos animais. Acumula-se no revestimento das artérias, inflamando os tecidos, como as articulações, cria uma resposta imunológica e ajuda a causar placa ateroesclerótica nas artérias.

Compostos relacionados com a forma de cozinhar

Nitrosaminas

Os nitratos são benéficos, encontram-se em plantas e ajudam a relaxar e dilatar as artérias. No entanto, no corpo dos animais, transformam-se em nitritos que, na ausência de uma fonte de vitamina C, podem dar origem a nitrosaminas cancerígenas. Por outro lado, as carnes processadas como o bacon e as salsichas, contêm nitritos adicionados, o que aumenta a possibilidade de não serem neutralizadas pela vitamina C e consequentemente causarem cancros.

Hidrocarbonetos Aromáticos Policíclicos e Aminas Heterocíclicas

São produtos que se formam quando a carne é cozinhada a altas temperaturas. São altamente cancerígenos. Actuam em todas as fases do cancro, desde o seu início, até à sua promoção e progressão.

Glicotoxinas (AGEs – Advanced Glycation Endproducts)

São compostos inflamatórios promovidos pelo calor no processo de cozinhar. Encontram-se principalmente nas carnes. Impedem o correto enrolamento do ADN, causam dureza dos tecidos, stress oxidativo, e inflamação, contribuindo para uma série de doenças.

Toxinas ambientais

As toxinas, tais como os pesticidas e os metais pesados, acumulam-se na gordura animal. As mães podem, através da amamentação, estar a expor os bebés a químicos que terão um efeito durante toda a sua vida. Pensa-se que a Parkinson’s se deve à acumulação de toxinas no cérebro.

Isto é especialmente relevante nos peixes e animais marinhos, conhecidos pela sua acumulação de metais pesados, provocando doenças como a diabetes ou redução da fertilidade masculina.

Lacticínios e ovos

As hormonas naturalmente presentes nos lacticínios e outros produtos animais, como a IGF-1 (Insulin-Like Growth Factor 1) promovem o crescimento de cancros. Afinal de contas, o leite é a bebida que serve para transformar um bezerro num boi em poucos meses.

Os lacticínios, ao contrário do senso comum, estão também ligados a risco superior de fracturas e são uma fonte importante de gordura saturada.

Os ovos são alimentos com muito colesterol e colina, o que pode levar a cancros, e acumulam dioxinas na sua gordura, que estão associadas a diabetes e que também podem dar origem a cancros.

Vírus Cancerígenos

Certos vírus podem propagar cancros de origem animal para os seres humanos. Por exemplo, os trabalhadores de linhas de abate e processamento de aves de capoeira têm um risco 9 vezes superior de contraírem cancro do fígado ou do pâncreas. Este risco estende-se também ao consumo destas aves.

Uso excessivo de antibióticos

Os antibióticos são dados aos animais por rotina e não para tratar doenças, originando bactérias super-resistentes. Os antibióticos podem passar para o consumidor, afectando, por exemplo, a flora intestinal.

Endotoxinas

A carga de bactérias normalmente presentes nos produtos animais, mesmo os que tenham boa aparência, é inflamatória. As endotoxinas criadas por essas bactérias podem resistir à digestão.

Contaminação por bactérias intestinais dos animais

As bactérias presentes no trato intestinal podem, devido às condições de sobrelotação em que os animais são criados, ou em condições de abate e processamento inadequados, infectar o produto final, resultando por vezes em morte ou graves complicações. É o caso da Salmonella, que infecta a casca dos ovos, mas também a carne de galinha desmanchada, da Yersinia na carne de porco, e de outras como Clostridium difficile e o Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA), na carne de porco e de vaca. Segundo um estudo, 90% de peças de frango, 91% do perú picado, 88% da carne de vaca picada, e 80% das costeletas de porco vendidas no retalho final nos EUA estão infectadas com alguma bactéria fecal.

Ausência de fibra e nutrientes

O consumo de fibra (ausente nos produtos animais) está ligado a uma flora intestinal mais saudável, que protege o intestino e elimina o excesso de colesterol.

Muitos nutrientes das plantas afetam positivamente os processos do corpo, e podem inclusivamente inibir a ação dos poluentes industriais.

Agradecimentos: Esta publicação foi em grande parte baseada num artigo do site Compreender Nutrição, e no site de divulgação de conteúdos nutricionais NutritionFacts.org, que publicou também o livro Como Não Morrer (Portugal) ou Comer para Não Morrer (Brasil)