Vegetarianismo e Saúde do Cérebro

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Este artigo baseia-se na informação do site NutritionFacts.org, que é revista por um médico.

O QUE SÃO OS AVCs E O ALZHEIMER

Os AVCs (acidentes vasculares cerebrais) e o Alzheimer podem classificar-se como doenças vasculares, ou seja, doenças provocadas por alterações nos vasos sanguíneos, nomeadamente, por acumulação de colesterol. As células do cérebro afectadas ficam privadas de oxigénio e morrem.

  • Nos AVCs geralmente as artérias do cérebro vão ficando bloqueadas (isquémicos) ou então ocorre uma hemorragia (hemorrágicos).
  • No Alzheimer acumula-se uma substância chamada placa amilóide no próprio tecido do cérebro, o que pode ser provocado pelo excesso de colesterol [1]Cholesterol in Alzheimer’s disease and other amyloidogenic disorders.. Já na primeira autópsia descrita, o Dr. Alzheimer notou que o cérebro da paciente tinha as principais artérias endurecidas. Estudos em autópsias subsequentes demonstram esta ligação entre a ateroesclerose (acumulação de placa nas artérias devido a colesterol e gordura saturada) e o Alzheimer. As autópsias também demonstraram que os cérebros com Alzheimer têm mais colesterol acumulado.

Os AVC’s e o Alzheimer podem começar a desenvolver-se, com uma dieta imprópria, muitos anos antes dos primeiros sintomas.

Assim sendo, uma dieta como a vegetariana, que melhore a ateroesclerose, também ajuda a prevenir ambas as doenças. Aqueles que comem carne podem ter o triplo do risco de demência de alguém que foi vegetariano toda a sua vida. [2]The incidence of dementia and intake of animal products: preliminary findings from the Adventist Health Study.  Se estiver interessado em compor uma dieta vegetariana equilibrada, veja aqui.

O Alzheimer não parece ser uma doença principalmente dependente da genética mas sim dependente da alimentação e do estilo de vida. Há uma taxa significativamente maior de Alzheimer em pessoas de origem japonesa nos Estados Unidos do que em japoneses no Japão.[3]Prevalence of dementia in older Japanese-American men in Hawaii: The Honolulu-Asia Aging Study. O mesmo se passa em relação a pessoas de origem africana nos Estados Unidos e pessoas africanas em África. Isto porque nos Estados Unidos estas pessoas estão sujeitas a uma dieta com muitos produtos animais ou produtos processados, ao contrário da dieta dos seus países de origem.

UMA DIETA QUE PREVINE AS DOENÇAS

Uma alta ingestão de fibra pode ajudar nestas doenças, ao regular a absorção de colesterol e açúcar e por permitir que o colesterol produzido em excesso no fígado seja descarregado para as fezes. Uma peça de fruta a mais por dia pode já ser uma ajuda. O consumo ideal de fibra é de 25 g de fibra solúvel (feijões, aveia, nozes e frutos vermelhos) e de 47 gramas de fibra insolúvel (cereais integrais) por dia[4]High dietary fiber intake prevents stroke at a population level..

O potássio é um elemento que se encontra em grande quantidade nas plantas. Um aumento de 1640 mg na ingestão de potássio pode cortar em 21% o risco de AVC[5]Potassium intake, stroke, and cardiovascular disease: a meta-analysis of prospective studies., no entanto, a maioria da população americana está muito longe da dose recomendada de 4700 mg.

O consumo de citrinos pode ajudar a melhorar a circulação.

Os anti-oxidantes também podem ajudar nas doenças mentais, ao impedir o stress oxidativo que pode causar danos nos tecidos. Num estudo de 30 000 mulheres idosas na Suécia, o risco menor de AVC foi apresentado pelas mulheres que consumiam mais anti-oxidantes.[6]Total antioxidant capacity of diet and risk of stroke: a population-based prospective cohort of women. Uma dieta vegetariana variada garante altos níveis de anti-oxidantes (especialmente através do consumo de frutos vermelhos, especiarias, e verduras).

O açafrão, obtido da flor de Crocus sativus, pode ser tão eficaz no tratamento de Alzheimer como um medicamento de referência, o Aricept, sem efeitos colaterais (não confundir o açafrão com a cúrcuma ou açafrão-de-terra (Curcuma longa), que é muitas vezes vendido apenas como “açafrão”, e que tem significativos efeitos anti-inflamatórios, ajudando também no tratamento de Alzheimer).

As mudanças de estilo de vida, incluindo uma dieta saudável, exercício físico e exercício mental, podem ter um importante papel na prevenção do Alzheimer.

ALIMENTOS A EVITAR

Como já se disse, uma dieta baseada em vegetais integrais, que seja baixa em colesterol e gordura saturada é protectora, quer para a doença cardíaca quer para as doenças do cérebro.

Certas toxinas chamadas AGE, formadas quando se frita, assa, ou grelha carnes, estão associadas à Alzheimer. Estas toxinas podem impedir que uma molécula chamada sirtuína actue correctamente. A sirtuína tem várias valências ligadas à longevidade.

Por outro lado, certos componentes que se encontram nos produtos de origem animal podem causar stress oxidativo e acelerar a degenerescência: vão desde o ferro-heme presente nos produtos animais, até metais pesados ou substâncias poluentes presentes no peixe e marisco, dioxinas nos ovos e aves, chumbo no leite, etc. Estes e outros produtos poluentes podem contribuir especialmente para a doença de Parkinson, havendo uma ligação forte com o consumo de lacticínios[7]Dairy foods intake and risk of Parkinson’s disease: a dose-response meta-analysis of prospective cohort studies.. No entanto, o consumo de frutos vermelhos, que contêm antioxidantes chamados polifenóis, está ligado a um pronunciado efeito protetor em relação aos efeitos destas substâncias tóxicas. É de notar que estes poluentes tendem a acumular-se na gordura animal, pelo que esta é mais uma razão para comer mais abaixo na cadeia alimentar (ou seja, ser vegetariano – veja aqui como).

Para mais informações, pode consultar o livro Como Não Morrer (em Portugal) ou Comer Para Não Morrer (no Brasil), escrito pelo médico Dr. Michael Greger, ou o seu site com vídeos traduzidos em português, onde se explica como as 15 principais doenças do mundo ocidental têm origem na alimentação dos ocidentais e como podem ser prevenidas através de uma dieta baseada em alimentos vegetais integrais não processados. Por exemplo, doenças cardíacas, hipertensão, diabetes, cancros do sistema digestivo, infecções, doenças hepáticas, insuficiência renal, etc.

Pode ver também este artigo que resume os benefícios dos diferentes vegetais.

Referências   [ + ]