Vegetarianismo em Viagem: Tailândia e Myanmar

É fácil ser vegetariano/vegan na Tailândia e no Myanmar? Em que consistiu a minha alimentação nestes países? E relativamente à exploração animal no turismo? Descobre tudo isto e mais neste artigo!

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Olá leitores,

viajar é sem dúvida alguma o que mais gosto de fazer no mundo. Viajar faz-nos sentir conectados, alinhados, obriga-nos a sair da nossa zona de conforto, faz-nos pensar sobre questões que jamais nos passaram pela cabeça e faz-nos perceber o quão pequenos somos neste planeta tão complexo.

Acima de tudo, pelo menos para mim, proporciona-me um enorme sentimento de gratidão por estar viva, por ter um corpo que me permite mover, por poder conhecer o mundo e evoluir um pouco mais enquanto pessoa.

Recentemente, estive durante um mês e vinte dias no Qatar (Doha), Tailândia e Myanmar. O Qatar não fazia parte do plano inicialmente mas como fiz uma escala de dois dias neste país, consegui adicionar mais um destino à minha rota. Estive na Tailândia durante 20 dias e no Myanmar cerca de 28 dias.

Foi uma viagem inesquecível, desde a contemplação da natureza na Tailândia, ao nascer e pôr do sol com vista para os milhares de pagodas no Myanmar e à calorosa recepção por parte dos seus habitantes, sempre simpáticos e sorridentes.

A minha viagem foi a típica viagem de mochila às costas, low budget e sem grandes planos de estadia o que me permitiu visitar locais pouco turísticos e ter um maior contacto com a população local, principalmente no Myanmar.

Ao contrário da Tailândia, muito turística e voltada para o turista em todos os aspectos, Myanmar foi sem dúvida o país mais desafiante desde logo porque só se abriu ao turismo em 2012 e, portanto, o turismo encontra-se em fase de crescimento.

Tentei conhecer o máximo de cidades possíveis em cada país dentro do tempo que dispunha e creio que consegui fazê-lo com êxito, conseguindo visitar locais muito pouco visitados por turistas. Recomendo vivamente que visitem estes dois países, sendo que para mim o Myanmar é provavelmente um dos melhores destinos asiáticos e que conquistou desde o primeiro dia o meu coração. Se quiserem ver algumas fotografias visitem o meu instagram @inesarafael e se tiverem alguma dúvida não hesitem em perguntar através do meu Facebook.

No entanto, o que me levou a escrever este artigo foi mostrar o que podem esperar destes dois países em termos de alimentação vegetariana/vegan.

Sublinho que o orçamento para a minha viagem era baixo o que limitou em grande escala a minha experiência gastronómica uma vez que optava quase sempre pelo que era mais barato, quer na ementa, quer em restaurantes.

Eu encontro-me numa fase de transição e, por isso, viajei enquanto ovo-lacto vegetariana, sendo que a minha alimentação era em 90% dos casos vegan.

Nos voos que apanhei, através da Qatar Airways e da British Airways, pedi previamente através do site que me fossem fornecidas refeições vegan. A comida era saborosa para o que se pode esperar e, por ser um voo de 8 horas, foi-me dada uma sandes também ela vegan.

Estufado de batata e legumes. O creme vegetal na fotografia é vegan (Qatar Airways).
Tofu com legumes e noodles (Qatar Airways).

Na Tailândia:

A Tailândia, por ser um destino muito turístico, tem várias opções vegetarianas e algumas vegan. Os menus têm sempre a descrição em inglês e as refeições são no geral muito baratas.

Consegui comer várias vezes por um euro ou dois. A gastronomia tailandesa tem uma grande componente vegetal o que permite uma adaptação de receitas que contenham carne ou peixe sendo bastante comum o uso de tofu como substituto.

Em todos os restaurantes que visitei havia sempre uma secção vegetariana no menu. As pessoas falam relativamente bem inglês e conseguem pedir para que não sejam adicionados ingredientes de origem animal apesar de não ser garantido que os molhos que usam sejam vegan. Para além disso, pelo que percebi, é tudo feito na mesma frigideira apesar de não ter notado o sabor a carne ou peixe.

Em relação à exploração animal no turismo, na minha experiência, há que ter bastante cuidado na Tailândia. Existe uma larga oferta de programas voltados para o turista como os safaris ou os santuários de elefantes.

Pesquisei o suficiente para perceber que a palavra santuário é aplicada para “mascarar” a exploração destes animais. Assim sendo, optei por não fazer nenhum destes programas. Existe igualmente uma oferta para andar em cima de elefantes nas ruas, algum comum em Ayutthaya, perto de Bangkok.

Nas ruas um pouco por todo o país também é visível uma população crescente de gatos e cães cujos nascimentos não são controlados e, por isso, existem vários animais desnutridos.

Pequeno almoço

Os meus pequenos almoços passavam muito por torradas com compota, chá ou café e fruta local. Ocasionalmente comia panquecas (não vegan).

O pequeno almoço era a refeição mais cara, excedendo normalmente os três euros.

No nosso hostel em Chiang Mai.

Almoço e jantar

As minhas refeições principais passavam muito pelo mesmo, por ser o mais barato, o menos picante e o mais vegetal possível: pad thai, noodles fritos ou arroz frito com vegetais.

Pedi algumas vezes spring rolls e vegetais salteados com arroz. Inicialmente comia com ovo mas durante o resto da viagem pedi sempre para me tirarem o ovo porque já não consumia ovo em estado puro há vários meses e estranhava o sabor.

Salteado de tofu, vegetais e ananás com arroz num restaurante em Koh Tao.
Salada de papaia com spring rolls vegetarianos em Bangkok.
Vegetais salteados com cajus num restaurante vegetariano em Chiang Mai.
Vegetais salteados com arroz num restaurante em Koh Tao.

Lanches

Os lanches eram a minha parte preferida. Abusei das águas de coco e dos sumos ou batidos de fruta que tão bem sabem em climas quentes e húmidos. Por vezes comprava fruta ou bolachas (não vegan) para os longos períodos de viagem de barco e autocarro.

De facto, penso que o que foi mais difícil na Tailândia (e no Myanmar) é comprar snacks saudáveis e vegans porque pelo menos para mim (tenho muito apetite ao longo do dia) comer apenas algumas peças de fruta não é suficiente e como os frutos secos eram muito caros recorri várias vezes a bolachas de marcas tailandesas ou pão em fatias para me dar o boost de energia que por vezes precisava.

E, por último, não posso deixar de falar da minha sobremesa/lanche preferido e totalmente vegan: mango sticky rice. Foi sem dúvida a minha perdição e consiste apenas em arroz “peganhento” e manga regados com leite de coco. É um must try quando visitarem este país!

Mango sticky rice num restaurante em Krabi.

No Myanmar:

Neste país foi onde comi as melhores refeições da minha viagem.

Não que a comida local fosse do meu agrado porque apesar de ter igualmente uma forte componente vegetal a comida tinha um odor forte e um aspecto pouco cativante o que me levou a optar pelas refeições mais simples que consistiam nas mesmas da Tailândia: arroz frito ou noodles com vegetais e vegetais salteados com arroz.

Contudo, confesso que não foi fácil em alguns locais. Não havia restaurantes para turistas em algumas cidades ou locais de paragem de autocarros (e por isso o menu encontrava-se apenas escrito em birmanês) e, para piorar a situação, a maioria dos birmaneses falam pouco ou nada inglês.

No primeiro dia de viagem tive a sorte de encontrar um local jovem e simpático que falava bem inglês e que me alertou para este facto, apresentando-me ao mesmo tempo uma solução. Escreveu por trás do cartão do seu restaurante o indicativo de uma refeição vegetariana em birmanês para que quando eu estivesse a pedir um prato para mostrar o cartão.

Isto facilitou-me a vida durante toda a viagem e, inclusivamente, consegui ajudar outros turistas vegetarianos que se encontravam na mesma situação que eu. Porém, ultrapassado este obstáculo, desfrutei de refeições deliciosas e comi os melhores noodles da minha vida (Shan Noodles)!

Em relação à exploração animal no turismo, o Myanmar é um pouco diferente da Tailândia possivelmente devido ao turismo ainda se encontrar pouco desenvolvido. Vi pelo menos um local religioso em Naypyidaw em que havia elefantes acorrentados. No entanto, o que mais me chocou foi a quantidade de ninhadas de cães e cães adultos abandonados que existem em todo o país famintos, muitas vezes feridos e com sarna.

Pequeno Almoço

O mesmo que na Tailândia. O pequeno almoço incluído era o típico continental: torradas, compota ou manteiga com chá ou café e fruta local.

No nosso hostel em Mandalay.

Almoço e jantar

À semelhança da Tailândia, havia sempre uma parte do menu com opções vegetarianas e consegui visitar alguns restaurantes vegetarianos na capital (Yangon) e em Bagan. Os preços das refeições no Myanmar são ligeiramente mais caros, em média 4 ou 5 euros por refeição apesar de ter conseguido comer várias vezes por 2 euros. A maior parte dos Hostéis e Guest Houses, ao contrário da Tailândia, tinham pequeno almoço incluído. Os sítios onde comi melhor foi em Ngpali Beach, Bagan e Kalaw. Serviram-me refeições vegan deliciosas apesar de muito simples.

Arroz com lentilhas e vegetais num restaurante em Hpa-An.
Talvez a melhor refeição da viagem: Shan Noodles num restaurante em Kalaw.
Vegetais salteados com arroz num restaurante em Inle Lake.
Salada de abacate, tomate e cebola com batatas grelhadas num restaurante em Ngapali Beach.
Estufado de abóbora com arroz de coco num restaurante vegetariano em Bagan.
Noodles fritos com vegetais num restaurante em Ngapali Beach.
Arroz de coco com vegetais salteados em molho de lima num restaurante vegetariano em Bagan.
A desfrutar do almoço oferecido aos monges num mosteiro em Mandalay. Nem tudo era vegetariano mas consegui comer arroz e alguns vegetais e legumes salteados/cozidos.
Tofu com vegetais em molho de lima com arroz num restaurante em Mandalay.

Lanches

O mesmo que na Tailândia.

Oferenda de chá com amendoins fritos num pagoda em Kalaw.
Água de coco numa praia em Ngapali Beach.
Fruta fresca de rua junto à Golden Rock.

No Qatar (Doha):

Não tenho fotografias das minhas refeições mas também é relativamente fácil comer vegetariano/vegan. O pequeno almoço estava incluído no meu hotel, um banquete fantástico com algumas opções vegan. Jantei uma vez numa feira de rua uma espécie de falafel com arroz e vegetais fritos (tempura) e almocei num centro comercial uma pizza vegetariana.

Espero que tenham gostado e que vos tenha inspirado a visitar estes países lindíssimos, sem terem receio de desfrutar da gastronomia local.